Da crise, seus heróis e nosso futuro

Por Alberto Fernando Becker

Publicada em 28/03/2020 - Jornal NH

O tema do coronavírus e seus nefastos efeitos ocupa a mídia, as redes sociais, o whatsapp. Sofremos um bombardeio de (des)informação, que gera uma sensação de sufocamento, diante de tanta negatividade. Tempos muito difíceis nos aguardam e compartilhamos da angústia do agravamento da doença no país e todos os impactos que isso terá sobre nós. Não defendo uma visão Pollyana de mundo, todavia é preciso notar uma perspectiva positiva.

Por desafiador que o cenário se mostre, haverá um futuro depois da crise. Trabalhando com gestão de crise há tanto tempo, vi superações de toda ordem, improváveis até, o que me impede de pensar diferente. Pode ser difícil visualizar agora, mas, creiam-me, todas as crises que a humanidade já vivenciou têm uma coisa em comum: elas passam!

Vejo uma ótima representação disso no cinema, onde, aos poucos, a luminosidade vai crescendo, tudo vai clareando, até que o filme finalmente começa. A noite é mais escura antes de amanhecer. O nosso medo de agora é perfeitamente justificável, mas não temos alternativas que não enfrentar estes dois inimigos implacáveis (a doença e a crise), numa batalha renhida, e só nos resta vencer. Lentamente, nosso medo e nossa dor vão desaparecer e dar lugar à confiança. Pois, apesar dos imensos danos, esta crise também vai passar.

Acredito que nossas chances são infinitamente maiores se atuarmos unidos, cada um fazendo a sua parte, sem delegar ao governo, aos ministérios, ao universo, a tarefa de resolver tudo por nós. Evidentemente, nossas lideranças políticas têm grave responsabilidade para conosco, e devem ser cobradas. Porém, nós a temos igualmente; lutamos por nossa causa, para proteger as pessoas e para a reconstrução que virá depois.

Nossa humanidade está posta à prova. Há quem não ajude, mas tenho visto muita gente gabaritando o teste, e pretendo honrá-los. Estamos diante de dilemas éticos e existenciais sem precedentes. Mais do que nunca, não somos apenas responsáveis por nós mesmos, mas por todos. Quem gostamos ou não, quem comunga da nossa visão política ou não, patrão, empregado. Podemos até não estar todos no mesmo barco, entretanto estamos todos no mesmo mar.

Descortina-se no horizonte das incertezas uma onda de solidariedade, com muitas empresas e pessoas, verdadeiros heróis - que encontraram a empatia na crise - num exercício de doação constante. Exemplos não faltam! As crises têm dessas coisas: elas evidenciam o que nós somos. Quem é mesquinho fica mais mesquinho; quem é generoso fica mais generoso. As guerras destacam canalhas e destacam heróis. Ao final, saberemos exatamente quem é quem.

Saber que heróis existem nos restitui o direito de ter esperança. Aquela do verbo esperançar (não simples espera), que age no presente, fazendo a coisa certa, enquanto o futuro não chega. Porque nós teremos futuro, ele vai chegar e nós estaremos prontos!

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